Assistencialismo, caridade ou filantropia?

Existe muita confusão sobre qual dos três conceitos empregar ao se fazer o bem por outra pessoa. Você sabe diferenciar cada um deles?

Assistencialismo

Não há dúvidas sobre o aspecto negativo que paira sobre o conceito de assistencialismo na opinião pública; ainda mais no Brasil, onde as práticas de assistência social são misturadas ao entendimento popular sobre assistencialismo pelas duras críticas às políticas públicas. Vale ressaltar que a assistência social é necessária em qualquer país, e que não é disso que falamos aqui. Em resumo, assistencialismo é a ajuda ou intervenção momentânea a um indivíduo, sem compromisso algum com a erradicação da sua condição de necessidade e sem o amparo teórico sobre a ação. O ponto negativo dessa prática é justamente não ter intenções de mudar a situação do auxiliado nem de retirá-lo da sua vulnerabilidade, aprisionando-o à sua condição.

Caridade

A caridade é uma prática ou estilo de vida extremamente ligada à religião, principalmente no ocidente, onde está ligada ao cristianismo católico. Sem se aprofundar em doutrinas, fato é que a caridade tem uma relação intrínseca com a fé, já que a prática cristã pressupõe que é preciso amar ao próximo para se demonstrar o amor a Deus. Partindo desse pressuposto, as práticas de caridade assumem um caráter autêntico no amparo aos menos favorecidos, mas muitas vezes se confunde ao assistencialismo, perdendo sua essência. Por via de regra, a caridade e a filantropia se relacionam intimamente sob a perspectiva da motivação: ambas exigem se colocar no lugar do outro, ter empatia, não fazer nada por interesses próprios apenas. Sendo assim, a caridade é contínua e extremamente útil para se oferecer novas condições de vida e novas oportunidades àqueles que desejam mudar sua condição de necessidade e privação.

Filantropia

Aqui reside um conceito amplo e cada vez mais discutido em âmbitos intelectuais, políticos e de negócios. Se a caridade tem origem na fé, a filantropia tem suas raízes fincadas na racionalização da condição humana; seja na Grécia Antiga, seja no Iluminismo do século XVII. Com um caráter político extremamente acentuado, diferencia-se da caridade principalmente pelos meios: enquanto a caridade pressupõe a anulação do autor e a piedade sem auto-promoção, a filantropia busca na publicidade e na mobilização pública a conscientização da sociedade em prol de solucionar algum tipo de vulnerabilidade. Sendo assim, a filantropia ganha cada vez mais espaço ao se questionar as desigualdades humanas e os meios saturados de produção, que progressivamente se revelam ineficientes para suprir as necessidades humanas sem destruir as fontes de recursos naturais.

Então, o que eu posso fazer?

Por tudo que foi visto até aqui, assistencialismo não é uma boa opção, a menos que você queira apenas massagear o ego ou aliviar a consciência. Entre a caridade e a filantropia, o que vale mesmo é se ater a como ser realmente um parceiro de transformações sociais. Para isso, existem diversas organizações sem fins lucrativos que desempenham trabalhos dignos de reconhecimento e têm contribuído para uma sociedade menos desigual. Não obstante, participação política e cobranças de medidas públicas para as populações mais afetadas pelas injustiças sociais também são obrigações da cidadania. Para começar, que tal conhecer uma dessas instituições e ser um parceiro dessa transformação social? Acompanhe a Donatte saiba como.